Alguns erros de Mixagem cometidos por iniciantes

A mixagem é uma etapa fundamental na cadeia da produção musical. É nela que as faixas gravadas são tratadas e processadas de maneira relativa, trazendo equilíbrio, emoções, destaques e a forma final da música, com suas características únicas.
Como é esperado em qualquer área de conhecimento, iniciantes acabam cometendo alguns erros que podem comprometer diretamente os resultados. Pensando nisso, separamos algumas práticas não recomendadas que devem ser evitadas quando se busca resultados profissionais. Vamos lá:

1. Falta de organização e direção

É comum ver iniciantes começando uma mixagem sem um objetivo claro e sem qualquer tipo de organização. Como resultado, no meio da mixagem o engenheiro ou produtor se encontra perdido e já não sabe mais o que está fazendo, para onde está indo e como voltar a um ponto seguro.
De duas, uma: a música vai soar confusa e sem identidade ou o engenheiro começará o processo novamente, do zero. Nada bacana, não é mesmo?
Portanto tome tempo organizando a sessão durante a pré-mix. Garanta que nomes, cores, grupos, subgrupos, efeitos e mandadas estão bem definidos e organizados. Além disso escute a música gravada e entenda o que ela pede, o que ela precisa para enfatizar os sentimentos e emoções que o artista transmitiu. Esse direcionamento inicial vai ser fundamental a cada passo da mixagem e ajudará a garantir um resultado coeso e de acordo com a produção.

2. Mixar a música inteira sem dar pausas no processo

Outro comportamento que pode ser prejudicial na mixagem é tentar fazer todo o trabalho de uma só vez, sem fazer nenhuma pausa. Esse tipo de processo pode ser danoso devido ao corpo humano: ao longo de uma mixagem (ou outros trabalhos de áudio) os ouvidos se cansam e ficam desgastados, e isso pode gerar uma série de problemas.
Ouvidos cansados levam o profissional a tomar decisões equivocadas, ter interpretações alteradas do som e até mesmo aumentar demais o volume na intenção de escutar com mais clareza, podendo causar danos à audição a médio e longo prazo, além de danos à produção ou retrabalho.
Faça pausas de 5 a 15 minutos a cada 60 a 90 mixando. E se sentir que está com os ouvidos estafados em um dia, pare e continue no dia seguinte. Seus ouvidos e suas produções agradecem muito!

3. Achar que equalização é a solução para qualquer problema

A equalização é uma parte fundamental da mixagem e por isso precisa ser usada com cuidado e precisão. Ela tem o poder de alterar ou estragar toda a produção se utilizada sem cuidado ou sem controle.
Lembre-se que além da equalização existem outras ferramentas que podem te ajudar a chegar em um som mais estável, equilibrado e harmônico. Aprenda as diversas funções e funcionalidades de automação de volume, compressores, delays, reverbs e outros efeitos. Lembre-se também que como a mixagem é relativa, processar outras faixas da música pode te ajudar a chegar no resultado que você espera daquela faixa em que está trabalhando.
Parece bobagem, mas muitas vezes tudo que precisa ser feito é abaixar um pouco o volume de um canal específico. Atenção: quando se quer mais guitarra, a solução pode ser abaixar o baixo.

4. Excesso de presets

Os presets são grandes aliados na mixagem, mas muita gente ignora ou se esquece que eles também tendem a padronizar as produções.
Dependendo do ponto de vista isso pode ser um grande problema. O excesso de presets pode deixar um trabalho sem personalidade ou sem coesão, o que geralmente não é legal em uma produção artística. Acreditamos que todo produtor musical e engenheiro de áudio precisa de uma assinatura, uma identidade única. Um perfil que o faça diferente dos demais.
Saiba quando usar presets prontos, quando trabalhar novas configurações de presets e quando utilizar plug-ins do zero, desenvolvendo o que determinada produção necessitar. Essa é a hora de arriscar, testar, descobrir e se desenvolver como engenheiro de mixagem e produtor musical.

5. Excesso de reverb nos graves

O uso de muito reverb na região dos graves pode ser perigoso. É um dos pontos da mixagem que engenheiros de áudio e produtores musicais precisam prestar atenção e tentar evitar (a não ser que seja a intenção, o que não é comum). Quando esse recurso é utilizado excessivamente, acaba transformando a música em um embolado de sons.
Como o reverb simula um som se espalhando por um ambiente e as ondas graves são ondas de grande energia e propagação quase omnidirecional, a soma entre reverb e graves gera muitas ondas e regiões se interceptando, o que culmina em somas e cancelamentos desagradáveis e muitas frequências sobrando na mix, deixando o resultado desequilibrado, confuso e embolado.
Assim como no caso dos presets, tenha cuidado e lembre-se da região dos graves ao usar reverbs. Equalizar antes de enviar o sinal é geralmente uma boa ideia!

6. Confundir mixagem com masterização

Muitos iniciantes acabam tentando alcançar os resultados da masterização já na mixagem. Apesar desses dois processos estarem diretamente ligados e se assemelharem de alguma forma, continuam sendo etapas distintas.
De maneira simplória podemos dizer que a masterização estabiliza e otimiza o som enquanto a mixagem processa com a liberdade de adicionar e retirar informações sonoras (sem novas gravações). Logo, não é possível finalizar uma produção profissional de alta qualidade com apenas uma das duas etapas.
É importante trabalhar em cada uma delas com o devido cuidado, sempre mantendo os traços da sua personalidade de engenheiro de áudio e produtor musical.

No final das contas, assim como em qualquer assunto, a melhor forma de evitar problemas de mixagem e melhorar a qualidade de trabalhos é estudar, aprofundar os conhecimentos na área e praticar. Isso certamente trará cada vez mais experiência e facilidade para mixar com qualidade.

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1 Comentário

  • cavatec5@gmail.com'
    Cava

    Correto todos os pontos de observação ,que bom .

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