3 Maneiras de Usar Loops Para Melhorar Suas Produções

O uso de pedais de loop tem se tornado cada vez mais comum na indústria da música. Ed Sheeran, por exemplo, começou a rodar o mundo em turnê com nada além de seu violão, um pequeno teclado e uma pedaleira para fazer seus loops. Só que muitas pessoas não percebem que não são só os artistas de looping que podem usufruir da mágica dos loops, e que nem só com um pedal ou uma pedaleira pode-se fazer loops.

Antes de nos aprofundarmos no assunto, vamos definir um loop: é a repetição de um trecho musical, podendo ser esse trecho da duração que for. Dessa definição, vem a expressão “ouvir uma música em loop”, isto é, ouvir uma vez atrás da outra, sem parar. Muitos artistas fazem músicas inteiras só com loops, usando geralmente trechos de 4 ou, às vezes, 8 compassos. Mas não existe regra para qual duração escolher! Às vezes, um loop de 1 compasso pode ser o que sua música está precisando para ter um grande salto de qualidade sonora.

No estúdio, é muito fácil gravar um loop. Como os loops tendem a ser trechos pequenos, é bem mais fácil acertar na gravação – fazer muitos takes não é uma preocupação, já que demora pouco pra passar pelo trecho. A partir daí, basta copiar e colar o loop durante a parte da música em que você o quiser!

É importante garantir que não haja artefatos na transição da repetição do loop: às vezes, ao adiantar um pouquinho a nota do final, ela pode ter o ataque dobrado (por somar com o ataque do início). Ou então, ao adiantar um pouco a nota no começo, ela pode ter o ataque cortado. Para evitar esse problema, uma sugestão é quantizar a primeira nota do loop para que ela comece exatamente na cabeça do compasso – alinhada com o grid. Antes de copiar e colar o loop pela música, copie e cole apenas essa primeira nota na cabeça do compasso seguinte ao loop que você gravou, e então puxe um pouco do áudio anterior a essa primeira nota pra dentro da área do loop, e aplique um crossfade. Ou seja: a região do loop (que tem que ser um número exato de compassos) vai conter um pequeno fade antes de repetir, e com isso se evita quaisquer artefatos e cliques na repetição, além de fazer o recomeço do loop soar natural. Depois disso, basta consolidar (seguindo a duração original do loop) e coloca-lo onde quiser!



Agora que já sabemos o que é e como usar loops, vamos explorar algumas formas de usá-los nas nossas produções!

1- Loop Rítmico (a “Cama Sincopada”)

O tipo mais fácil de loop é o Loop Rítmico, porque já que só estamos tratando de ritmo, não precisamos nos preocupar com mudanças na harmonia da música.

Muitas vezes baterias e percussões são essencialmente loops. Na produção de música eletrônica, é muito comum usar samples de outras músicas, ou seja, pegar um loop de, por exemplo, um compasso do som de bateria de outra música, e repeti-lo pela música inteira. Mas não é desse tipo de loop que estamos falando.

Estamos falando da “Cama Sincopada”. Um tipo de loop rítmico não tão usado hoje em dia, mas que tem um efeito bem interessante. Jacob Collier (um artista não tão conhecido no Brasil mas que é, na minha humilde opinião, um dos músicos mais geniais e talentosos da atualidade) utiliza muito desse conceito. Para se fazer isso, basta fazer vários loops de sons diversos – nem precisa ser um instrumento convencional. Pode ser panela, pode ser estalo, pode ser lápis, pode ser espirro – em tempos diversos. Daí, podemos explorar diversos padrões de polirritmia: mesmo que a música seja em 4/4, vale colocar loops em 5/8, junto com outros em 7/8, e até mesmo 11/8 no meio também. A combinação de grupos ímpares sobrepostos soa muito interessante: a ideia é que com toda a confusão de vários loops, desde que eles estejam bem equilibrados, cria-se uma espécie de “cama” de som, que dá uma sensação sincopada. Às vezes nem é perceptível que se trata de vários loops. Evite sons graves nesse tipo de abordagem, já que os sons graves tendem a puxar toda a atenção pra eles.

2- Loop Harmônico (a “Cama de Pad”)

Qualquer pessoa que já tocou em uma igreja estilo Worship (já virou um estilo musical, estilo de roupa, estilo de tudo!), sabe exatamente do que se trata. Bandas como Hillsong United, ou Bethel Music, usam esse tipo de loop em praticamente todas as músicas.

Em músicas que não têm muita variação harmônica (intercâmbios modais, modulações, ou outras mudanças tensas na parte da harmonia da música), é muito fácil preencher um pouco o espaço se por algum motivo ela estiver soando vazia. É só fazer um loop de sintetizador, tocando a tônica, a quinta, e talvez a nona ocasionalmente. Quando se usa um som etéreo, devagar, sem ataques rápidos, e com bastante reverb, a tendência é que essa técnica funcione ainda mais.

Nas músicas de igreja, isso faz total sentido: pois o efeito gerado tende a ser um efeito contemplativo, etéreo, transcendental. Por isso se utiliza dessa técnica em muitas músicas, e muitas vezes ao longo de toda a duração da música. Mas o uso dessa técnica também é muito plausível fora do contexto de igrejas, mesmo que seja só durante uma seção específica da música: pra deixar o refrão mais preenchido e com mais cara de refrão, pra deixar um breakdown de violão e voz mais introspectivo… Experimente!

3- Loop Melódico

O Loop Melódico é uma junção dos dois primeiros tipos de loop. É preciso escolher bem as notas melódicas que vão ser repetidas em loop, para que não haja choque com a harmonia. Por isso, a tendência é que funcione melhor com músicas não muito complexas harmonicamente. A escolha do ritmo pode ser interessante pra tentar criar também um efeito sincopado, mas se ater ao simples também pode ser uma boa escolha.

Sobre Alberto Menezes

Alberto Menezes é engenheiro de áudio e músico formado pela Berklee College of Music em Produção Musical e Engenharia de Áudio, com complemento em Acústica e Eletrônica. Morou em Los Angeles por quase 3 anos, trabalhando em estúdios de pós-produção como engenheiro de áudio e escrevendo músicas para filme como freelancer. Em sua carreira, Alberto teve o privilégio de aprender sobre o funcionamento de grandes estúdios de Hollywood lado a lado a engenheiros de áudio nomeados ao Oscar, além de receber premiações independentes aos seus próprios trabalhos. Alguns dos projetos em que Alberto participou como engenheiro de áudio: La Casa de Papel, O Mecanismo, Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco, Evangellion etc.

Comentários (2)

  • josegilmar2805@gmail.com'
    JOSÉ GILMAR RAMOS

    Boa tarde Alberto, gostaria de ter mais informações sobre como criar lopp, vcs tem algum material orientativo.

    • Universidade do Áudio

      Fala José! Beleza? Te convidamos a conhecer nossa plataforma de ensino sobre Engenharia de Áudio e Produção Musical – a Universidade do Áudio. Lá vc terá orientação de ponta e o conhecimento passado certamente será de extrema valia pra criação de loops. Veja mais informações no nosso site http://www.universidadedoaudio.com.br . Qualquer dúvida é só falar. Um abraço da Equipe UA!

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